Sei que me identifiquei na hora, e comecei a procurar livros pra comprar. Na época era universitária sem dinheiro e lembro que fui num Sebo aqui em Santos, um que eu gostava bastante e perguntei pro carinha se ele tinha algum livro do Caio Fernando Abreu, e ele me disse que nem conhecia o autor. Saí de lá frustradíssima, achando um absurdo, o dono do Sebo que eu mais gostava na cidade não sabia nem quem era Caio Fernando Abreu.Aí comprei o "Morangos Mofados" e gostei de umas crônicas e não gostei de outras. E resolvi me dar de presente o livro "Cartas". 532 páginas devoradas em uns 3 dias. Não largava o livro por nada. Levava pra faculdade e ficava mostrando os trechos pro meu amigo. Chorava com ele, ria com ele, ficava feliz com as conquistas e frustradas com as derrotas.Terminei o livro e parecia que eu tinha vivido em 3 dias tudo o que ele viveu em quase sua vida toda. Fiquei triste. Fiquei mal. Fiquei me sentindo na merda, como sei que muitas vezes ele se sentiu. Mas passou...
Hoje estou aqui, de férias, numa sexta feira de feriado Santo pra quem é católico e feriado qualquer pra quem não é, lendo Cartas novamente.
Mas estou procurando ler as cartas mais pra cima, mais animadas, mais legais, cheias de carinho, afeto e amizade...
Entre altos e baixos, Paris, Londres, São Paulo, Rio de Janeiro, Caio Fernando Abreu foi feliz nessa gangorra que a gente pode chamar de vida...
Como dizia ele: "Um dia de salto 7, outro de sandália havaiana..."
Obrigada Caio F., por me fazer entender que a vida não é um mar de rosas, mas que a gente pode ser feliz nas pequenas coisas e que não podemos desistir da vida, quando temos uma família e amigos ao redor.
Com amor e com ternura, Ludimila
"Só choro às vezes porque a vida me parece bela. (O sol. As cores. As coisas). Mas é de emoção, não de dor. Tá tudo certo. Love Love Love. It´s All We Need Always."
[Caio Fernando Abreu]

